A tecnologia (sempre) ao serviço das pessoas
Entrevista a Catarina Graça, People & Culture Director da Claranet Portugal, no Jornal Económico
Na Claranet Portugal, a tecnologia está ao serviço das pessoas – e não o contrário. Num setor marcado pela transformação constante, a empresa aposta num modelo de trabalho híbrido, que conjuga liberdade com proximidade, inovação e autonomia para atrair ereter talento.
Num setor altamente competitivo como o tecnológico, quais têm sido as apostas da Claranet Portugal para atrair e fidelizar talento qualificado?
Temos apostado numa proposta de valor diferenciadora, autêntica e alinhada com as expectativas de quem queremos atrair e reter. A escassez de talento em áreas como Cloud,DevOps, Data ou Cibersegurança exige proporcionarmos a participação em projetos tecnologicamente relevantes, num ambiente colaborativo, inovador e de aprendizagem. Investimos numa cultura ágil, felxível e de proximidade, onde a autonomia e a responsabilidade coexistem. Valorizamos competências individuais que se complementam, e mantemos uma escuta ativa constante para ajustar práticas e oferecer experiências que façam sentido para atrair e fidelizar talento.
Como é que a Claranet Portugal tem conseguido manter uma cultura organizacional forte num contexto de trabalho híbrido e descentralizado? Que papel têm as ferramentas tecnológicas nesta nova realidade?
Na Claranet Portugal, manter a cultura num contexto híbrido exigiu-nos uma abordagem intencional e alinhada com os valores da organização - acreditamos que a felxibilidade e a responsabilização não se definem apenas com regras e políticas, vivem-se no dia-a-dia, através de práticas consistentes, começando nas nossas lideranças e numa comunicação próxima e regular. As ferramentas tecnológicas têm tido um papel crítico neste processo: utilizamos plataformas de colaboração que permitem manter a proximidade, independentemente da localização geográfica, reforçando a comunicação interna, apoiando o trabalho de equipa e o feedback. Sabemos que num regime de teletrabalho existe mais flexibilidade, maior conciliação pessoal/profsisional, uma eventual poupança de tempo e/ou dinheiro em deslocações e mais facilidade para realizar tarefas de maior concentração. Por outro lado, a socialização no escritório contribui para o desenvolvimento de relacionamentos interpessoais, troca de ideias, inovação, feedback, aprendizagem e um sentido de comunidade que não existe num modelo 100% remoto. Procuramos incentivar estas idas ao escritório com a realização de eventos internos e iniciativas de saúde e bem-estar como consultas de medicina curativa, rastreios, palestras, quick massages e pequenos-almoços disponíveis duas vezes por semana.
De que forma a Claranet Portugal tem integrado IA e analytics nos processos de Recursos Humanos?
Temos modernizado os nossos processos, com foco na digitalização e automação. Criámos um dashboard com indicadores que apoiam decisões em áreas como recrutamento, carreira, sucessão e engagement. Identificamos tendências e trabalhamos no mapeamento de competências, onboarding e previsão de saídas. Gostaríamos também de evoluir no sentido de explorar o potencial da IA para o matching de perfis com oportunidades internas em que utilizaríamos ferramentas para triagem no recrutamento, libertando tempo aos nossos recrutadores para investirem na relação com os candidatos e melhorar a sua experiência.
A adoção de ferramentas tecnológicas nos processos de RH traz inúmeras vantagens, mas também levanta desafios. Que benefícios e riscos identifica neste caminho de digitalização?
A digitalização dos processos de RH oferece vantagens claras: maior agilidade, acesso a dados em tempo real, melhoria na experiência do colaborador e maior capacidade de propor soluções de forma personalizada. No entanto, existem riscos que não podem ser ignorados, como os associados à privacidade de dados. No entanto, o principal desafio está na tentação de automatizar processos que exigem sensibilidade humana, como o feedback, a escuta ativa ou a gestão de conflitos. Na Claranet Portugal, procuramos encontrar o equilíbrio certo: a tecnologia ao serviço das pessoas e não o contrário.
A formação contínua é, muitas vezes, apontada como chave para a competitividade. Que estratégias têm adotado para garantir o desenvolvimento de competências técnicas e transversais ao longo da jornada dos colaboradores?
A aprendizagem contínua é central na nossa estratégia. Num setor em constante evolução, a capacidade de aprender mais rápido que o ritmo da mudança é uma vantagem competitiva. Promovemos formação técnica e comportamental, acesso transversal a plataformas digitais, iniciativas informais de aprendizagem e certificações. Temos ações regulares sobre o nosso portfólio e campanhas de sensibilização em cibersegurança. Acreditamos que a formação só é eficaz quando aplicada de forma prática, repetida e contextualizada. A evolução da organização depende do crescimento das suas pessoas.
Olhando para o futuro, que tendências antecipa na gestão de pessoas no setor tecnológico? Que novos perfis e competências estarão em maior destaque nos próximos anos?
Nos próximos anos, a gestão de pessoas será cada vez mais orientada para a personalização da experiência do colaborador, para a integração de tecnologia nos processos de decisão (para apoiar e não substituir as relações humanas) e para a continuação da promoção do bem-estar, em ambientes seguros e colaborativos. Antecipo uma valorização ainda maior das competências comportamentais, como o pensamento crítico, a empatia e a adaptabilidade. Em termos de perfis, continuaremos com uma procura reforçada por especialistas em AI, Data, Security e Cloud mas, na minha opinião, os mais relevantes serão os perfis híbridos - pessoas que combinam competências técnicas com capacidade de liderança, aprendizagem, visão estratégica e sensibilidade humana. Vivemos tempos em que o talento escolhe onde quer estar e as organizações têm de se preparar para ser verdadeiramente relevantes para as suas pessoas.
Entrevista publicada originalmente in Jornal Económico
